terça-feira, 24 de agosto de 2010
Ele era real e havia dado um jeito de me alcaçar em um sonho!
- Engano seu, meu amor. Eu a sinto dentro de você.
Suas asas me apertaram o corpo, trazendo-me mais para perto dele. Apesar de sua forma física ser parcialmente imaterial, eu o senti. Suas asas eram macias. Frias como o inverno mais gelado, em contraste com meu sonho, que emanava calor. O contorno de seu corpo era uma névoa gélida. Ela me queimou a pele, emitindo correntes elétricas que me aqueceram com um desejo que não seria sentir, mas ao qual não conseguia resistir.
Sua risada era sedutora. Desejei me afogar nela. Eu me debrucei, fechando os olhos e arfando alto ao sentir o calafrio de seu espírito me roçando os seios, emitindo pontadas agudas que eram dolorosas, mas ao mesmo tempo deliciosamente eróticas atingindo partes do meu corpo de um mesmo jeito que me tirava o autocontrole.
- Você gosta da dor. Ela lhe dá prazer - suas asas ficaram mais insistentes e seu corpo, mais duro e frio, e mais apaixonadamente doloroso quanto mais me apertava contra si. - Renda-se a mim - sua voz, que já era linda, foi ficando inimaginavelmente sedutora à medida que ele se excitava. - Eu passei séculos em seus braços. Desta vez, nossa união será controlada por mim, e você vai se regojizar com o prazer que posso lhe dar. Abandone as correntes da Deusa distante e venha para mim. Seja meu amor de verdade, em corpo e alma, e eu lhe darei o mundo!
O sentido de suas palavras atravessou a névoa de dor e prazer como um raio de sol evaporando no orvalho. Recuperei minha força de vontade e saí do abraço de suas asas. Ramos de fumaça negra e gelada serpentearam ao redor do meu corpo, me apertando... tocando... acariciando...
Eu me sacudi como uma gata irritada e molhada de chuva, e os filetes de fumaça deslizaram pelo meu corpo, afastando-se.
- Não! Eu não sou seu amor. E nunca vou abandonar minha Deusa!
Quando disse isso, o pesadelo se desfez.
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