A manhã é calma. Os pássaros estão quietos. Estranho.
Cheguei da escola e joguei a bolsa da cama e me espatifei ao lado dela. Estava cansada... Pensamentos horríveis passavam em minha cabeça como um flash de cenas que eu queria esquecer... A dor ainda estava registrada em minha alma. Palavras foram ditas e ações foram tomadas... Me virei na cama e puxei o travesseiro, que agora, substituía o seu abraço... Tantas perguntas passavam em minha mente "Onde você está?", "O que está fazendo?", "Está pensando em mim?". Perguntas que morriam no vazio de minha mente sem respostas.
A campainha toca. Como um raio eu me levanto da cama, com os olhos borrados e o cabelo bagunçado. É ele. E agora, o que eu faço? Devo me arrumar? E o que vou falar? Eu não vou implorar para ele... O erro foi dele. Ele não se importa comigo. Meu... Meu "problema" cresce a cada dia mais, comendo todos meus órgãos... Ninguém sabe... Mas, ele como quem, deveria pelo menos me dizer "Oi, tudo bem?" E agora, o que eu devo fazer? Ele está ali na porta, me esperando... No cantinho, mexendo no cabelo... Tenho certeza que está empurrando a franja para trás, como sempre, haha! [...] Eu estou sorrindo numa hora dessas? ... Silêncio. A casa estava vazia. A mãe na cozinha, será que eu que vou abrir a porta?
Vou levantando devagar e me dirijo até o espelho. Minha cara estava péssima. Também não era pra melhor, duas noites em claro chorando feito uma louca. O travesseiro estava até úmido, de tantas lágrimas que suportou. Eles estavam inchados e vermelhos; o lápis de olho mal pegou. O cabelo estava quebrado e amassado e um pouco úmido também, pois ficava em cima do travesseiro. A roupa do colégio no corpo ainda, as mãos sujas de caneta e cola na palma. As unhas estavam todas roídas até o toco. Os pés estavam descalços. Um pouco sujos do algodão das meias, mas limpos. Tomei fôlego em frente à minha imagem refletida e fui. Passos pesados, todos os 8 que dei até a porta da sala. "Vou atender, mãe" gritei enquanto girava a chave da porta e então a abri. O sol refletido na luz do carro bateu e uma sombra se formou, ofuscando a visão dos meus olhos. Quando se mexeu, pude ver com clareza.
Não era ele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário